6 de setembro de 2012

Sem saída: após viver uma onda de manifestações e paralisações, Governo do PT quer regulamentar direito de greve

Parece que enfrentar com diálogo e de forma democrática as reivindicações dos movimentos grevistas não é a especialidade do Governo do PT. Tanto é que, após enfrentar um longo período de manifestações e paralisações dos servidores públicos federais, as lideranças do partido já estudam enviar para o Congresso Nacional um projeto de lei que irá regulamentar o direito de greve no país, conforme noticiou a Agência Brasil.

Ao contrário do que querem fazer acreditar, os petistas não estão acostumados a lidar com a liberdade à defesa dos direitos dos servidores. O que causa espanto é que, quando a greve é contra os governo de oposição, o PT insufla as manifestações e dá mistura o movimento com seus interesses políticos. Mas quando a greve é na sua gestão, é mais fácil recorrer a medidas autoritárias para evitar o desgaste político.

Aliás, a contradição entre os discursos e a prática tem sido prática recorrente no Governo Federal. Como bem lembrou o vice líder do Bloco Transparência e Resultado da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), deputado Rômulo Viegas (PSDB), primeiro a própria presidente Dilma Rousseff recorreu ao mesmo modelo de privatização adotado na gestão do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, tentando dar a ele um novo nome e, assim, minimizar às criticas que tanto fez a essa parceria com a iniciativa privada.

Agora, é a vez do governo se contradizer também no que se refere aos movimentos de classe. “Estamos vivendo um momento em que o país é assolado por essa onda de greve dos servidores públicos federais, servidores estes, e eu também sou um, que estamos lutando pelos nossos direitos. Só que o Governo Federal não está sabendo lidar com isso. Quem diria, o PT querendo regulamentar o direito de greve. Nada como um dia após o outro”, observou Viegas.

Normalidade nas universidades federais só em 2105

A greve nas universidades federais completou nesta quarta-feira (05/09) 112 dias, o período mais longo de paralisação da história das instituições, recorde similar ao registrado em 2005. Enquanto as negociações não sinalizam para o retorno de 100% das aulas, professores e alunos já começam a contabilizar os prejuízos. Segundo reportagem do jornal Estado de Minas, o descompasso que já alterou o atual ano letivo trará reflexos nos próximos dois anos. Há quem tema que, se a volta às aulas não ocorrer até o dia 17, o calendário escolar possa entrar também em 2015 com pendências.

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