23 de outubro de 2013

Minha Casa, Minha vida tem aumento de 800% no gasto com publicidade enquanto problemas continuam a aparecer.

Com poucas realizações para mostrar nas próximas eleições, a presidente Dilma parece querer investir pesado na publicidade do programa Minha Casa, Minha Vida – mesmo com o programa sendo alvo de diversas reclamações e denúncias. O resultado é uma profusão de peças publicitárias com atrizes globais e produção de alto nível para um programa que tem acusações de aparelhamento na liberação dos financiamentos, maquiagem de apartamentos em inaugurações e problemas estruturais em menos de 2 anos após a entrega.

O empenho em divulgar o programa é tanto que nos últimos anos, como revelam dados cedidos pela Caixa Econômica Federal, o governo federal teve uma repentina elevação dos gastos publicitários do programa : em 2011, foram R$ 261 mil. No ano seguinte, R$ 1,7 milhão. Em 2013, até o fim de julho, a Caixa já havia destinado R$ 15,7 milhões para divulgar o programa.

Mesmo que o banco público não gaste mais um real até o fim do ano para propagandear o programa habitacional, o valor significará um aumento de 823% na comparação com todos os gastos de 2012 – e de 5.900% em relação a 2011.

Para o deputado Duarte Bechir (PSD), a presidência tem se preocupado mais em divulgar o programa do que efetivamente fazê-lo acontecer corretamente. “Dilma injeta milhões para divulgar um programa que na realidade vai mal. As casas entregues são poucas e nas poucas entregues, os defeitos são muitos. Casas trincando, inaugurando casas inacabadas… Ou seja, é um programa de aceleração do comercial! Programa de aceleração da propaganda daquilo que não está acontecendo” – diz Bechir.

Mas não foram apenas os gastos de publicidade com o Minha Casa, Minha Vida que subiram. Um levantamento feito pela ONG Contas Abertas mostra que os valores empenhados pelo governo do PT em publicidade, como um todo, chegaram a R$ 177,7 milhões neste ano, comparados com R$ 173 milhões no ano passado inteiro. O cálculo leva em conta dados do Orçamento e exclui as estatais, como a própria Caixa.

Isso leva a outra explicação possível para a elevação dos gastos em 2013: pela lei, o governo só pode gastar com publicidade em ano eleitoral aquilo que já havia gasto no ano anterior. Aumentar os gastos este ano pode ser a garantia de um vasto orçamento publicitário no ano que vem.

Problemas

Enquanto o investimento nos comerciais buscam atrair novos participantes e vender uma boa imagem do programa, os problemas continuam a aparecer.

Em Minas, o Minha Casa, Minha Vida tem apenas 39% de obras concluídas e um histórico de maquiagem das obras já entregues. Foi o que acontecem em abril deste ano, quando das 1460 unidades habitacionais, localizadas em Ribeirão das Neves, apenas uma, a que presidente inaugurou, estava dignamente estruturada com acabamento decente e piso em cerâmica. Todo o restante – que não apareceu na mídia – seguia com chão grosso de concreto.

Em Uberlândia, no Triângulo Mineiro, 3.632 casas do Minha Casa, Minha Vida, entregues há menos de 2 anos, já têm problemas elétricos, rachaduras e infiltrações. Ao todo 217 reclamações foram feitas por meio do telefone da Caixa Econômica Federal desde o início do ano.

“É triste, mas o governo federal caminha para um fim de governo de muitos e muitos desastres que o povo brasileiro aos poucos toma conhecimento. Programa “Minha Casa, Minha Vida” agora é “Minha Casa, a propaganda da presidente”. Vamos adiante, Brasil! Tem conserto!”, finaliza o deputado Duarte Bechir.

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