2 de abril de 2013

PT e a arte do aparelhamento político

Inchar a administração pública com cargos e salários de milhares de funcionários que não passaram por concurso tem sido uma das marcas da gestão petista, seja na esfera federal ou nos estados. Pesquisa recente do IBGE aponta que nas 27 unidades da federação foram empregadas 105 mil pessoas em vagas comissionadas, sendo que deste total o PT responde por cerca de 30% de todas as contratações. Juntos os estados governados pelo partido possuem 30 mil vagas sem concurso.

Quando se avalia a quantidade de cargos pelo tamanho da população, os estados do PT são os campeões do aparelhamento da máquina pública. Eles têm 75 cargos por 100 mil habitantes e assumem a liderança do ranking nacional. No Distrito Federal, de Agnelo Queiroz (PT), são 263 cargos por 100 mil habitantes.

Em números absolutos de vagas, somente a Bahia, governada pelo petista Jaques Wagner, emprega quase 10 mil pessoas sem concurso nos gabinetes do governador e de seus secretários. Ou seja apenas este estado responde por aproximadamente 10% de toda a contratação no país.

Apadrinhamento

Essa prática que é muito comum no Governo Federal do PT está se refletindo também na administração estadual. O excesso dos cargos comissionados, como já demonstrado em inúmeros escândalos envolvendo nomes de confiança da presidente Dilma Rousseff e do ex-presidente Lula, abre muito mais margem para o uso político da máquina pública e o que verdadeiramente importa, que é a melhoria da gestão, fica em último plano.

A deputada Luzia Ferreira (PPS) lembra que a Constituição Federal de 1988 trouxe uma contribuição significativa para a profissionalização do serviço público no Brasil, ao definir o concurso público como mérito. “ No entanto, a pesquisa do IBGE mostra que sobrevivem práticas danosas do apadrinhamento politico com os chamados cargos comissionados, que escapam do critério de competência e necessidade da gestão pública”, explicou.

Luzia, que é membro do Bloco Transparência e Resultado da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), criticou o fato de as administrações petistas serem as campeãs em usar este subterfúgio. “Infelizmente, o inchaço da máquina pública, com nomeações para cargos comissionados, tem servido para captação politica e é mais um desserviço que o PT presta à sociedade”. Em muitos casos, o uso dessas vagas acabando virando moeda de troca para abrigar aliados em troca de apoio no Legislativo ou em campanhas eleitorais.