19 de julho de 2012

Governo Federal do PT não cede e greve dos servidores federais já dura 2 meses

A ordem é não negociar: a reação do Governo do PT diante da greve das universidades e institutos federais deixa clara a faceta da contradição que domina os discursos das lideranças petistas. A determinação central do governo, vinda da própria presidente Dilma, é de endurecer com os grevistas, não ceder, não negociar. Enquanto isso o movimento cresce e ganhar força pelo país.

O que causa espanto é que, quando a greve acontece nos estados que fazem oposição ao governo, o PT logo trata de dar ao movimento um caráter político, subindo em palaque para cobrar atitudes que o próprio partido não consegue tomar. No poder, o PT não está aberto ao diálogo, se fecha em seu próprio silêncio.

Aqui em Minas, o PT passou meses criticando o governo estadual pela remuneração paga aos profissionais de ensino. Como bem lembrou o vice líder do Bloco Transparência e Resultado da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), deputado Duarte Bechir, os petistas diziam fazer isso em defesa da educação. “E agora, onde estão as lideranças do PT diante do quadro que mostra que o governo do Estado de Minas Gerais paga mais aos professores que o governo federal? Onde estão os discursos indignados? Onde está a cobrança à imprensa para a divulgação da luta dos professores das instituições federias de ensino?”, criticou o deputado.

Agora, o que se vê é a ministra Miriam Belchior tentando minimizar o assunto, tentando dar ao movimento e às reivindicações dos grevistas uma importância muito menor do que elas de fato têm. Quando a ministra diz, em reportagem ao Jornal Nacional, que há “um descompasso e que o nível de desconforto das lideranças sindicais é espantoso”, ela está, na verdade, tentando tirar o foco das responsabilidades que o Governo Federal insiste em não assumir.

Greve avança

As paralisações, que se iniciaram no dia 17 de maio, já completaram dois meses e atingem 29 setores do serviço público federal. Desde então, não se viu, por parte do Governo Federal, qualquer sinalização de uma abertura para as negociações. Pelo contrário, o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, foi enfático ao declarar que não negocia com grevistas.

A ausência de diálogo com os servidores não está restrita somente à área da educação. Os cartazes e avisos de greve têm tomado conta de Brasília, podendo ser vistos nos prédios dos ministérios e autarquias federais. Desde o dia 18 de junho, os brasileiros estão assistindo as paralisações no serviço público ganharem ainda mais força. Só o Governo Federal insiste fazer vista grossa.

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