17 de março de 2014

Dilma teme vaias e Brasil será o primeiro país-sede sem discurso de um governante na abertura da Copa do Mundo

A 20ª Edição da Copa do Mundo de Futebol FIFA, que acontecerá em junho deste ano no Brasil, será diferente. Aqui, a tradição de discursos dos chefes de Estado que recebem o Mundial, além do pronunciamento de um representante da Fifa, não acontecerá. A informação foi confirmada pelo presidente da FIFA, Joseph Blatter: nem ele e nem a presidente Dilma Rousseff discursarão durante a abertura do campeonato no estádio Mané Garrincha, em Brasília.  A precaução busca evitar constrangimentos, como o ocorrido no ano passado, na Copa das Confederações, quando quando a dupla foi vaiada e Dilma acabou impedida de falar ao público.

Relembre a vaia:

VIDEO: Presidente Dilma é vaiada na abertura da Copa das Confederações 

Se Dilma e Blatter não discursarem na abertura da Copa 2014, será a primeira vez em três décadas que o protocolo é quebrado. Em um caso aparte, em 1994, o presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton, não discursou, mas foi representado por seu vice, Al Gore.
Para o deputado João Leite (PSDB), o anúncio feito por Joseph Blatter é um fato revelador. “A presidente do Brasil não se manifestar na abertura da Copa do Mundo, quebrando uma tradição desde a primeira Copa do Mundo, em 1930, nos leva a concluir que o País do Futebol não ficou satisfeito com a condução dos entendimentos para que sediássemos o evento esportivo mais importante do planeta. O brasileiro gosta de esporte e é apaixonado pelo futebol. Frustrar essa paixão exige uma grande inépcia gerencial, e se omitir nos compromissos protocolares em um evento com transmissão mundial é assumir para esse público que o governo brasileiro tem pisado na bola constantemente” – explicou o deputado.
Para o dep. João Leite (PSDB), o anúncio feito por Blatter é revelador: "O brasileiro gosta de esporte e é apaixonado pelo futebol. Frustrar essa paixão exige uma grande inépcia gerencial"

Para o dep. João Leite (PSDB), o anúncio feito por Blatter é revelador: “O brasileiro gosta de esporte e é apaixonado pelo futebol. Frustrar essa paixão exige uma grande inépcia gerencial”

Desaprovação pública
A Copa das Confederações, em junho de 2013, coincidiu com uma onda de manifestações populares que tomou conta das ruas das principais cidades brasileiras. Entre a pauta dos protestos, estavam os custos públicos com a organização do Mundial.
Na abertura dos jogos, longo antes da partida entre Brasil e Japão, a presidente Dilma Rousseff foi vaiada por milhares de torcedores, por três vezes, no Mané Garrincha – estádio em que o governo do Distrito Federal gastou pouco mais de R$ 1,2 bilhão.
A primeira onda de vaias da torcida a Dilma veio quando o nome da presidente foi anunciado pelo sistema de som do estádio, antes da execução dos hinos nacionais de Brasil e Japão. Depois, quando foi mencionada por Blatter em sua rápida fala, novas vaias. As últimas, e mais intensas, vieram quando a própria Dilma Rousseff começou a falar ao microfone.Ela ficou com o semblante fechado ao lado do cartola da Fifa e apenas declarou aberta a competição.
Na ocasião o dirigente da FIFA tentou acalmar a torcida, em vão. Blatter esperava também que a situação se acalmasse até o fim do torneio – quando a presidente entregaria, no Maracanã, a taça à equipe campeã. Mas Dilma optou por não participar da entrega da taça, assim como agora opta por não discursar na abertura da Copa do Mundo.
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