31 de agosto de 2011

Descaso do governo do PT com o metrô provoca transtorno e perda de tempo na vida de quem mora na RMBH

Francisco Bernardino de Souza, 68 anos, é aposentado, mora em Ribeirão das Neves e enfrenta um verdadeiro martírio para se deslocar da sua casa até a unidade de saúde onde faz tratamento, no centro de Belo Horizonte. Ele conta que precisa pegar dois ônibus para conseguir chegar à estação Vilarinho para embarcar no metrô com destino à estação central. Ao todo ele gasta mais de duas horas, numa rotina que é quase diária.

“O transporte coletivo na Região Metropolitana é completamente precário. Os ônibus demoram muito a passar e o metrô, com uma única linha, vive lotado. Têm pessoas que até pegam o metrô no sentido contrário de suas casas só para, quando chegar na última estação, conseguirem voltar sentados”, lamentou o aposentado.

A solução para o problema de Bernardino de milhares de moradores da Região Metropolitana está nas mãos do governo federal do PT. Se as promessas de expansão do metrô e criação das linhas 2 (Barreiro/Santa Tereza) e 3 (Savassi/ Pampulha) fossem concretizada, certamente o tempo gasto e transtorno com o deslocamento por meio de transporte coletivo seriam bem menores.

O metrô de Belo Horizonte transporta hoje 160 mil passageiros por dia. A demanda reprimida é muito grande. Caso as três linhas previstas estivessem funcionando, o número de usuários/dia saltaria para 800 mil, segundo informações do Sindicato dos Metroviários (Sindimetro). Mesmo estando em uma das principais regiões metropolitanas do país, o metrô de Belo Horizonte foi o que menos recebeu recursos federais para sua melhoria.

O desperdício do dinheiro público é outro fator que dificulta o avanço das obras do metrô em BH. Nos últimos 10 anos foram gastos R$ 84 milhões em estudos, projetos e obras inacabadas para a criação das linhas 2 e 3. O ramal Calafate-Barreiro chegou a ser iniciado, com serviços de terraplenagem, desapropriações nas áreas de domínio da linha, mas parou em 2004 por falta de repasses de verbas pela União. Cerca de R$ 60 milhões utilizados na preparação da linha foram perdidos.

“Nós que somos da região do Barreiro sofremos demais com este metrô. A linha para atender a região já foi prometida, mas não sai do papel. Estudos e projetos foram iniciados, mas de forma irresponsável. O governo federal deixou o metrô abandonado”, disse Anselmo José Domingos (PTC), do Bloco Transparência e Resultado da Assembleia Legislativa de Minas Gerais.

O técnico em enfermagem Laudonídio, morador do bairro São Bernardo, também é um dos que defendem a urgente implantação da linha que ligará o Barreiro ao Calafate. “O ramal Barreiro/Calafate é o que a gente mais precisa em Belo Horizonte. Essa é uma obra prometida há muitos anos, mas que não sai do papel”.